Brincar com a comida ajuda crianças a aceitar novos alimentos, mostra estudo
Exploração sensorial de frutas e vegetais pode reduzir a neofobia alimentar e tornar a introdução de novos alimentos uma experiência mais positiva para as crianças
Publicado em 03 de setembro de 2026

Colocar as mãos na massa, amassar, cheirar e explorar diferentes texturas. Longe de ser apenas uma brincadeira infantil, o contato lúdico com os alimentos pode ajudar as crianças a desenvolver uma relação mais positiva com a comida. Um estudo publicado na revista científica Appetite analisou o comportamento de crianças entre 3 e 4 anos e mostrou que atividades sensoriais com frutas e vegetais aumentam a disposição dos pequenos para experimentar esses alimentos posteriormente.
A pesquisa também identificou que o interesse despertado pelo toque, pelo cheiro e pela exploração dos alimentos pode favorecer a aceitação de vegetais que nem sequer faziam parte da atividade. Isso está relacionado à forma como as crianças conhecem aquilo que chega ao prato: antes de experimentar um novo alimento, elas podem observar sua aparência, sentir seu aroma, tocar sua textura e se familiarizar com suas características.
Esse processo é especialmente relevante durante a infância, período em que a chamada neofobia alimentar — resistência ou receio diante de alimentos desconhecidos — pode aparecer com frequência. A exposição gradual e sem pressão permite que a criança se familiarize com novos sabores, cores, aromas e texturas, tornando o momento das refeições mais tranquilo para toda a família.
Alimentação infantil também se constrói fora da mesa
O cenário reforça a importância de estimular hábitos alimentares mais saudáveis desde os primeiros anos de vida. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mostram que os alimentos ultraprocessados já representam uma parcela significativa da alimentação das crianças brasileiras. Entre crianças de 2 a 5 anos, eles correspondem a 30,4% do consumo alimentar, evidenciando o desafio de ampliar a presença de alimentos in natura ou minimamente processados na rotina infantil.
Para Carolina Donan, nutricionista e gerente de relacionamento médico e científico da Papapá, referência nacional em alimentação infantil natural, a pressão e a obrigação durante as refeições podem dificultar esse processo de descoberta.
"Muitas vezes os adultos focam apenas no momento exato em que a criança está com a colher na boca, mas a construção dessa relação começa muito antes da primeira mordida. Quando ela tem liberdade para observar, tocar e cheirar de forma lúdica, reduz a estranheza diante do novo", explica.
Na rotina de casa, essa aproximação pode acontecer de maneira simples. Montar desenhos com frutas no prato, criar histórias a partir dos ingredientes ou permitir que a criança participe de pequenas etapas do preparo das refeições são algumas formas de aumentar o contato com os alimentos.
A proposta não é incentivar o desperdício, mas criar oportunidades para que a criança conheça os alimentos antes de ser convidada a experimentá-los. O contato repetido e positivo pode contribuir para diminuir a resistência e estimular a curiosidade em relação a novos sabores.
"Nutrição infantil vai muito além de vitaminas e minerais. É sobre a experiência, o aprendizado e a construção de memórias felizes ao redor da comida. Quanto mais positiva for essa interação desde cedo, mais duradoura e saudável será a relação deles com o prato no futuro", conclui Carolina.
Sobre a Papapá
A Papapá nasceu da vivência de pais que conheceram de perto os desafios de oferecer uma alimentação saudável e prática para os filhos. Hoje, é referência nacional em alimentação infantil natural, com produtos desenvolvidos por especialistas e pensados para diferentes fases do desenvolvimento da criança. A marca tem como missão facilitar a rotina das famílias, oferecendo refeições equilibradas, sem ultraprocessados e desenvolvidas para acompanhar as necessidades da infância.
