Reputação
Indústrias da moda e de alimentos usam marketplaces como laboratórios de dados em tempo real
Levantamento do ANYMARKET, com dados de operações de marcas como Nestlé e Havaianas, mostra que velocidade e eficiência operacional se tornaram fatores decisivos para o crescimento no varejo digital
Publicado em 24 de agosto de 2026

A expansão das indústrias no e-commerce brasileiro passa por uma mudança estrutural. Se nos últimos anos a prioridade estava concentrada na abertura de novos canais e na construção de presença digital, agora a eficiência da operação e o uso de dados em tempo real ganham espaço como fatores decisivos para o crescimento.
Nesse cenário, os marketplaces passaram a funcionar como laboratórios de dados para indústrias, permitindo testar produtos, preços, campanhas e estratégias de sortimento com velocidade superior à do varejo físico tradicional. É o que aponta levantamento setorial do ANYMARKET, hub de integração especializado em marketplaces operado pelo Grupo DB1.
A análise considera a movimentação de grandes marcas globais, como Nestlé e Havaianas, e mostra que a presença em múltiplos marketplaces, por si só, já não é suficiente. A capacidade de executar mudanças rapidamente na retaguarda tecnológica, integrar informações e acompanhar o comportamento do consumidor passou a ter impacto direto na tração das operações.
Na prática, o ambiente dos marketplaces permite que empresas testem portfólio, validem estratégias de precificação e ajustem campanhas de mídia com um time-to-market que, em muitos casos, seria inviável no varejo físico.
Por que marketplaces se tornaram estratégicos para as indústrias?
Para indústrias, o crescimento nos marketplaces depende cada vez menos de simplesmente disponibilizar produtos em novos canais e mais da capacidade de operar esses canais com agilidade.
A integração entre anúncios, estoque, pedidos e regras comerciais permite que as empresas reduzam processos manuais e acompanhem mudanças no mercado em tempo real. Dessa forma, os marketplaces passam a fornecer dados que ajudam a responder questões importantes para a operação, como quais produtos têm maior demanda, quais preços apresentam melhor desempenho e quais categorias possuem potencial de expansão.
O modelo também permite testar diferentes estratégias sem a necessidade de alterações complexas na estrutura física de distribuição. O resultado é uma operação mais dinâmica, capaz de transformar o comportamento do consumidor em informações para decisões comerciais.
Nestlé amplia operação de marketplace com foco em eficiência e previsibilidade
Historicamente, a indústria de alimentos enfrentou barreiras para expandir sua presença no ambiente digital. Cadeias construídas sobre intermediários, distribuidores e grandes redes de atacado impõem desafios relacionados à validade dos produtos, ruptura de estoque, logística e necessidade de alto giro financeiro.
O avanço tecnológico, no entanto, permitiu o desenvolvimento de operações digitais para categorias com maior previsibilidade logística, como cafés, cápsulas, chocolates e suplementos nutricionais.
Ao centralizar sua operação com a tecnologia do ANYMARKET, a Nestlé eliminou fluxos manuais e reduziu a rigidez para alterar anúncios. A mudança ampliou a capacidade de testar o comportamento do consumidor e o desempenho do mix de produtos diretamente em canais como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza.
Mais do que o crescimento de 20% nas operações de marketplace entre 2024 e 2025, um dos principais resultados da estratégia foi a capacidade de expandir o canal de forma consistente.
O ecossistema permitiu a introdução de novas categorias, o aumento do mix de produtos e a replicação da eficiência de retaguarda para novas unidades de negócio e diferentes perfis de sellers. Com isso, a operação conseguiu ampliar sua capilaridade digital sem aumentar a complexidade na mesma proporção.
O caso mostra como a integração de marketplaces pode transformar a operação em uma fonte contínua de dados sobre demanda, portfólio e comportamento de compra.
Moda e calçados enfrentam o custo da lentidão na gestão de SKUs
Se, na indústria alimentícia, previsibilidade logística e giro estão entre os principais desafios, o segmento de moda e calçados enfrenta outra questão: a complexidade do catálogo.
A recorrência de lançamentos, a variedade de modelos e as combinações de tamanhos e cores exigem uma infraestrutura capaz de atualizar informações na mesma velocidade do mercado. Nesse setor, atrasos na atualização de produtos, estoques ou preços podem gerar impactos diretos nas margens.
No caso da Havaianas, o marketplace assumiu papel central na estratégia digital de ampliação da aquisição de clientes.
A operação buscou reduzir o chamado “custo operacional da lentidão”, formado por ineficiências que podem comprometer resultados, como erros de cadastro, divergências de estoque e perda do momento ideal para ações promocionais.
A estratégia foi estruturada em três pilares integrados pelo hub:
- Centralização de anúncios, estoques e pedidos: informações reunidas em um único ambiente para facilitar a gestão da operação.
- Parametrização de preços e limites de estoque: definição de regras para acompanhar mudanças comerciais com mais agilidade.
- Automação dos fluxos operacionais: estrutura para sustentar o volume de vendas em períodos de maior demanda, como Black Friday e datas duplas.
Para operações com grande quantidade de SKUs, essa integração reduz a dependência de atualizações manuais e permite que informações comerciais sejam replicadas com maior velocidade entre diferentes canais.
Marketplaces, tráfego e dados sobre o comportamento do consumidor
A maturidade operacional das grandes marcas também coincide com mudanças na forma como os próprios marketplaces atraem consumidores.
A dependência de grandes campanhas em veículos de comunicação de massa abre espaço para estratégias mais segmentadas, com investimentos em social commerce, transmissões ao vivo, afiliados e outros formatos voltados à conversão.
Para Jasper Perru, especialista em inteligência de e-commerce do Grupo DB1, a competitividade exige que a indústria compreenda esses novos pontos de contato.
“O crescimento do social commerce, das lives e a relevância dos afiliados como microinfluenciadores de nicho e regiões têm incentivado fortemente a compra de produtos de recorrência e a experimentação de novas marcas. Mas esse fenômeno vai além: ele serve como uma poderosa ferramenta de consolidação do digital direto ao consumidor (D2C) para marcas tradicionais e já consagradas pelo público, aproximando indústrias históricas do cotidiano e dos novos hábitos do cliente final. Tudo isso vem somado a estratégias de cupons e fretes facilitados pelas plataformas, que alteram a sensibilidade de preço do consumidor em tempo real”, afirma.
Nesse contexto, os marketplaces também se consolidam como fontes de informação sobre a resposta do consumidor a diferentes estímulos comerciais. Alterações de preço, frete, cupons, formatos de conteúdo e campanhas podem ser acompanhadas com rapidez, permitindo ajustes constantes na estratégia.
Tecnologia e velocidade de execução se tornam fatores de competitividade
Para acompanhar a dinâmica comercial dos marketplaces, a indústria precisa adaptar não apenas sua estratégia de vendas, mas também sua infraestrutura operacional.
Segundo Perru, uma das estratégias que vem sendo utilizada para aumentar o ticket médio é a criação de kits e ofertas com preços diferenciados para compras de maiores quantidades.
“Uma estratégia que também se consolida para aumentar o ticket médio é a criação de kits ou ofertas de produtos com preços distintos para maiores quantidades. O cliente final ganha com essa competição aquecida entre os canais, mas a indústria só consegue capturar essa margem se tiver uma base tecnológica ágil, capaz de absorver a variação diária de tráfego e preço sem gerar gargalos operacionais”, finaliza.
A conclusão do levantamento é que, no atual estágio do e-commerce, estar presente em marketplaces não é mais o principal diferencial competitivo. A vantagem está na capacidade de transformar dados em decisões e executar mudanças rapidamente.
Para indústrias de setores como alimentos, moda e calçados, a retaguarda tecnológica passa, assim, a determinar a velocidade com que produtos são testados, preços são ajustados, estoques são atualizados e novas oportunidades são capturadas. Os marketplaces deixam de ser apenas canais de venda e se consolidam como ambientes de experimentação e inteligência para o crescimento do negócio.
Sobre a DB1
O Grupo DB1 é um conglomerado internacional de tecnologia com mais de 25 anos de experiência, oferecendo soluções completas de software, consultoria e inovação para empresas de diferentes setores. Com foco em tecnologia e metodologias ágeis, o grupo atua no desenvolvimento de software, transformação digital e inteligência aplicada ao mercado, apoiando organizações na otimização de processos, inovação de produtos e serviços e expansão sustentável dos negócios.
